Um dia nas Termas do Vale da Mó (por Elisabete Jacinto)

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A piloto portuguesa Elisabete Jacinto continua o seu percurso pelas estâncias termais da rede Termas Centro. Este texto, escrito na primeira pessoa, é a sua experiência nas Termas de Vale da Mó.

Situado no concelho da Anadia, no sopé da Serra do Caramulo, num vale estreito, mas verdejante, localizam-se as termas do Vale da Mó. Para lá chegarmos, descemos a partir da aldeia, por uma estrada estreita que termina num pequeno largo que serve para o estacionamento. Uma densa vegetação fecha o horizonte e temos a sensação de que o vale acaba mesmo ali. Ou seja, que aquele espaço foi construído pela natureza apenas para dar lugar ao usufruto de uma nascente de água com características muito particulares, as Termas do Vale da Mó.

Descubra: Uma Fonte Termal única em Portugal

As termas têm sempre origem numa nascente de água que se manteve no subsolo durante um largo período de tempo. Ao longo desse tempo, a água vai sofrendo um processo de enriquecimento pelos vários minerais constituintes das rochas, surgindo mais tarde à superfície com uma composição química completamente natural. São águas medicinais que têm um uso terapêutico. A água termal do Vale da Mó é particularmente rica em ferro, sendo a única representante deste tipo dentro do património hidrológico português.

Trata-se unicamente de uma fonte, cujas referências históricas remontam ao séc. XVIII. Mais recentemente, em 2003, a Câmara Municipal da Anadia procedeu a obras, construindo o edifício que abriga a nascente e um outro destinado às consultas médicas, situado um pouco mais acima. Na sala de espera deste edifício é possível admirar as fotos de outros tempos e perceber como as pessoas de épocas passadas tiravam partida daquela nascente. Aqui, o termalismo terapêutico é feito apenas através da ingestão da água, sendo aconselhada para o tratamento de doenças do aparelho digestivo e do sangue.

Por essa razão, todas as manhãs, quem dela necessita, desloca-se até à nascente para receber e desfrutar do seu copinho de água segundo prescrição médica, tendo como tranquilizante a magnífica envolvente natural.

Explore a região com uma agradável caminhada

O vale onde se localizam as Termas do Vale da Mó é particularmente agradável. Ao conhecermos a importância daquela nascente, somos impulsionados pela curiosidade para explorar aquele espaço. Um edifício sóbrio de linhas retas guarda a nascente pois, na realidade, não é aconselhável que aquela água seja ingerida de uma forma descuidada. Ao longo do vale, uma ribeirinha corre discreta, tornando-se mais evidente lá em baixo, onde foi construído um espaço para piqueniques. Existe um outro, muito pequeno e antigo, escondido atrás do edifício das termas, completamente coberto de musgo o que lhe confere uma atmosfera misteriosa.

Deste vale partem alguns trilhos estreitos, no interior dos quais já cresceu o mato e nem todos se podem percorrer. Num determinado sítio estão marcados os traços vermelhos e amarelos que sinalizam uma rota pedestre. Referem-se à “Rota do Poeta Cavador”, segundo nos informaram no local, mas nós partimos decididos para fazer o percurso recomendado no folheto das termas. Seguimos a pista que sobe a encosta e vamos admirando a paisagem. Não temos marcações no terreno pelo que temos de ir concentrados no descritivo, o que é sempre um desafio.

O tempo passa depressa e damos connosco no topo da serra a tentar decidir se procuramos um caminho para descer até à barragem. Felizmente o bom senso impôs-se e optámos por não o fazer porque o tempo era demasiado curto para a aventura. Graças a isso, vivemos a feliz coincidência de poder visitar o Moinho do Vale da Mó, uma casa de campo para aluguer, situado numa posição privilegiada em termos de paisagem, e regressámos à aldeia a tempo de honrar os nossos compromissos.

Desfrute: Da Barragem da Gralheira

Vir “fazer” termas ao Vale da Mó significa, naturalmente, ter o dia livre para fazer o que quiser. Descansar, caminhar ou ir por aí conhecer a região. É uma oportunidade. Estamos no Concelho da Anadia, na Região Demarcada da Bairrada, onde o vinho e a vinha têm uma presença importante. São inúmeras as caves que pode visitar, assim como o Museu do Vinho, a Estação Vinícola da Bairrada ou a Associação Rota da Bairrada, situada na estação de caminho de ferro da Curia. Existem outros pontos de interesse, tais como o Museu José Luciano de Castro, o Museu Aliança Underground e muitos mais que poderá descobrir.

Recomendamos que passe também na Barragem da Gralheira. Um espaço muito agradável, onde se destaca o espelho de água, no qual é possível tomar banho ou, simplesmente, usufruir da natureza frondosa. Dispõe de um parque de merendas e, se der um passeio por ali, encontrará partes de antigos moinhos de água para além de uma nora em perfeito estado de conservação.

Vale a pena!

Mais informações sobre as Termas de Vale da Mó aqui.

Veja por onde já andou a Elisabete Jacinto:

Termas da Curia, muito mais do que um espaço termal

Termas de Luso, uma fonte de bem-estar

Termas de Unhais da Serra, uma experiência que deve ser vivida

Termas do Cró, um paraíso na natureza

Uns dias nas Termas de Monfortinho

www.termascentro.pt

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