Termas do Vimeiro, entre o mar e a serra (por Elisabete Jacinto)

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As Termas do Vimeiro foram mais uma etapa no percurso que Elisabete Jacinto está a realizar pelas Termas Centro. Leia o relato da piloto portuguesa neste artigo.

Já ouviu certamente falar das Termas do Vimeiro?… Da Água do Vimeiro? São, de facto, águas que no passado foram consideradas santas pela sua capacidade curativa. Consta que, em 1318, a Rainha Santa Isabel “descobriu” a sua capacidade curativa e que, em 1450, também a Infanta D. Leonor reconheceu as suas virtudes. Independentemente da sua antiguidade, esta nascente termal continua ainda hoje a ser reconhecida pela sua qualidade e acção terapêutica. A sua localização geográfica faz dela um destino preferencial quando se pretende associar o termalismo clássico ou os tratamentos de bem-estar ao turismo balnear ou de natureza.

Descubra: Um pouco da história das Termas do Vimeiro

Apesar de a referência a estas nascentes ser muito antiga, é um facto que o seu grande dinamismo se efectuou em pleno século XIX. Desta época há várias alusões a três nascentes na parte norte do rio Alcabrichel que pertenciam ao Convento de Penafirme, dos Religiosos Eremitas de Santo Agostinho Calçados, daí o facto de uma das nascentes ainda ser designada por Fonte dos Frades. Uma outra, que actualmente se encontra fechada, é designada Fonte Santa Isabel, em homenagem à rainha.

As pessoas afluíam de carroça a este local, situado nas proximidades da Maceira, concelho de Torres Vedras, para tomarem banhos em tanques rudimentares. Eram assim atraídas pelas capacidades curativas de uma água que, precipitando na Serra de Montejunto, percorria uma longa distância em profundidade, a cerca de dois mil metros, ascendendo neste local em virtude da existência de uma barreira geológica, altamente mineralizadas e a uma temperatura de 27ºC. As suas qualidades químicas revelaram-na benéfica para o tratamento de doenças do aparelho circulatório, digestivo, respiratório e da pele.

Em 1836, estas termas foram adquiridas por um almirante inglês, George Rose Sartorius, e, apesar das várias reformulações a que foram sujeitas ao longo do tempo, mantiveram-se activas até aos dias de hoje. Actualmente funcionam numas instalações modernas, adaptadas às necessidades actuais e num agradável ambiente natural. Chamam-se Termas do Vimeiro embora, na realidade, a localidade mais próxima seja a Maceira. Segundo consta, em tempos idos era o Vimeiro a localidade que apresentava mais condições para albergar as pessoas que vinham de longe e foi por este nome que acabaram por ser conhecidas.

Seja como for, estas termas deram um forte contributo para o desenvolvimento económico da região, com destaque para a Maceira e para o Vimeiro.

Explore: a montanha, a arriba, as dunas e a praia

Fazer férias nas magnificas praias do concelho de Torres Vedras, aproveitando para usufruir da qualidade desta nascente termal, ou vir “fazer termas” e tirar partido do que a região tem para lhe oferecer, é um binómio que deve ser sempre considerado. As praias são fabulosas, com extensos areais e ricas em História. Por exemplo, foi na Praia de Porto Novo que desembarcaram as tropas do Duque Wellington em 1808, durante a Guerra Peninsular (Invasões Francesas). As arribas rochosas contêm fosseis marinhos e florestais que nos dão a conhecer a evolução do planeta.

Nós optámos por explorar a montanha e partimos à descoberta dos caminhos florestais com a companhia da “Vaklouro – Associação Ambiental e Cultural da Maceira”. Não se tratava de um percurso pedestre pré-definido e marcado no terreno, como habitualmente fazemos. Contudo, aqueles caminhos florestais são um convite irresistível e é fácil sermos nós a criar a nossa própria rota, pois não há perigo de nos perdermos. Subir as vertentes leva-nos ao topo do relevo, permitindo-nos admirar a paisagem na qual o mar predomina. Naturalmente, temos tendência a virar-nos para o mar e assim apreciar ao longe a praia de Porto Novo, com o Hotel Golf Mar empoleirado na arriba, e a Praia de Santa Rita a estender-se ao longo da costa. O passeio foi longo, andámos mais de dez quilómetros, mas foi muito bonito. Caminhámos pelas escarpas da Maceira, sobre rocha calcária já muito erodida precisando, por vezes, do apoio das mãos para progredirmos, mas valeu o esforço – não só pela paisagem, mas porque conseguimos ver fósseis de corais gravados na rocha. Passámos perto das ruínas do Convento de Penafirme, percorremos a arriba e andámos sobre as dunas já fossilizadas, apreciando os efeitos da erosão e o impacto da mesma sob a paisagem.

Do Porto Novo seguimos para as termas, sempre ao longo do Rio Alcabrichel, pelo fundo do vale, que este foi construindo ao longo do tempo, e que hoje é já razoavelmente largo. Este pequeno troço, entre as termas e a praia de Porto Novo, é relativamente curto e muito agradável de se fazer. Se está na zona, aproveite para o percorrer e ir conhecer as termas. Contudo, talvez não tenha a nossa sorte pois, à chegada, tínhamos à nossa espera vários doces regionais: as “Areias Brancas”, os “Pasteis de Aguardente da Lourinhã”, o bem conhecido “Pastel de Feijão” de Torres Vedras, o “Pão de Ló de Miragaia”, a “Tarte de Pevides de Abóbora” e também o pão com chouriço, o tal que é produzido de forma tradicional e que é delicioso. Rapidamente repusemos as calorias gastas e ficámos maravilhados. 

Os menos aventureiros podem usufruir do Passadiço das Escarpas para um passeio mais curto. Este une a localidade da Maceira à praia de Porto Novo, tendo apenas um quilómetro de extensão e paisagens de uma beleza ímpar.

Desfrute: De uma água absolutamente mineralizada

Depois deste longo passeio fizemos uma passagem pelas termas para usufruir dos benefícios das suas técnicas de bem-estar. Aqui estão disponíveis uma grande variedade, das quais experimentámos algumas. O Banho Bolha de Ar é uma boa aposta, pois permite-nos relaxar todos os músculos dentro de água mineral tépida e borbulhante. O Duche Massagem Vichy, cuja massagem é feita a quatro mãos, é absolutamente relaxante e permite aliviar toda a tensão muscular, assim como eventuais contraturas resultantes, por exemplo, de más posturas ou de uma caminhada cansativa. O Duche Escocês é uma massagem com jactos de água que nos deixa absolutamente revigorados.

É importante não esquecer que todas estas massagens são feitas em contacto com uma água absolutamente mineralizada, com grandes benefícios para o nosso corpo. Não é por acaso que a “Água do Vimeiro” decidiu comercializar a “Vimeiro Original”, a garrafa de tampinha amarela com um pH ligeiramente alcalino e uma grande concentração de minerais benéficos à nossa saúde, principalmente depois da prática desportiva.

Gostava de partilhar convosco que visitámos a fábrica e ficámos surpreendidos com todo o processo de engarrafamento da água, assim como todos os cuidados envolvidos no mesmo antes da garrafa da Água do Vimeiro nos chegar às mãos.

Mais informações sobre as Termas do Vimeiro aqui.

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www.termascentro.pt

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