Termas do Carvalhal, uma história com 200 anos

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As Termas do Carvalhal, no belíssimo território de Castro Daire, é uma das unidades termais mais importantes da região Centro. Mas nem sempre o foram. Ao contrário de outras, as propriedades curativas das águas são uma descoberta relativamente recente.

“Águas termais cristalinas”

A primeira referência às Termas do Carvalhal surge há pouco mais de 200 anos. Na altura, pouco mais havia além de furos de onde nasciam as águas termais. Em 1810, Francisco Tavares descrevia, na sua obra “Instruções e cautelas práticas sobre a natureza, diferentes espécies, virtudes em geral e uso legítimo das águas minerais, principalmente de Caldas; com a notícia daquelas, que são mais conhecidas em cada uma das províncias do Reino de Portugal, e o método de preparar águas artificiais”, que “a sul da vila de Castro Daire está a pequena povoação do Carvalhal, de quinze a vinte fogos e pobríssima. A quatrocentos ou quinhentos passos dela brotam águas termais cristalinas”. Das cinco nascentes referidas por este professor de Medicina em Coimbra, somente em duas os doentes se podiam banhar, uma vez que as restantes eram de acesso impraticável. Numa das duas nascentes possíveis, um eclesiástico daquela zona mandara erguer uma casa com um banho; na outra, a água era usada para beber. Francisco Tavares sugere que todas as nascentes fossem encaminhadas para um aqueduto comum, para que a água fosse aproveitada para banhos termais.

Nesta altura, ou pouco depois, já existiria a “Barraca do Povo”, estrutura simples com uma banheira para uso público, e a “Barraca dos Leprosos”, com duas banheiras, mandada construir por Joaquim Rebelo da Silva Xuquere no início do século XIX. Mais tarde surgiria a “Barraca do Abade”, mandada construir pelo abade de Mões para seu uso próprio.

A fama do poder curativo das águas, em especial para as doenças da pele, começou a espalhar-se e em 1843, parecia tudo encaminhado para uma companhia poder vir a explorar as termas do Carvalhal. No entanto, a falta de acessos condignos e de outras condições inviabilizaram o ambicioso projeto, de que resultou apenas o início da construção de uma casa com nove janelas, localizada a seguir à zona das nascentes. Esta, contudo, não chegou a ser finalizada.

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