Termas de Almeida-Fonte Santa, uma preciosidade na montanha (por Elisabete Jacinto)

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A piloto portuguesa Elisabete Jacinto prossegue o seu roteiro de descoberta pelas Termas Centro. Desta vez, a piloto portuguesa conta o que viu e experimentou nas Termas de Almeida – Fonte Santa.

A vista aérea das Termas de Almeida-Fonte Santa é impactante. Nela destaca-se o Rio Côa, bem entalhado na montanha, a qual parece dominar. É como se todas as rochas, todas as árvores, toda a natureza existisse ali para partilhar com ele aquele espaço. O Forte de Almeida aparece a pouca distância, como uma flor desenhada, do qual parte a estrada que atravessa a montanha para nos levar, a meio da encosta, à Fonte Santa. Uma nascente de água sulfurosa, excelente para o tratamento de doenças do aparelho respiratório, reumáticas e músculo-esqueléticas. A fonte continua lá em baixo, junto à margem do rio, mas o espaço termal subiu a encosta. Actualmente ocupa um edifício moderno, de linhas ortogonais, que mantêm, naquele recato, uma actividade plena, oferecendo tranquilidade e bem-estar a todos os que procuram tirar partido dos benefícios destas águas.

Desfrute: Da água termal e da envolvência natural

Tal como todas as outras, as Termas de Almeida oferecem uma grande variedade de técnicas baseadas nas águas medicinais (Duches Vichy, hidromassagem, vapores…) e outras, como os banhos turcos, saunas e massagens, que contribuem para preservar a nossa saúde. Contudo, talvez esta seja a estância termal que mais partido tira da sua envolvência, o que torna esta experiência ainda mais completa.

O edifício foi pensado exactamente para proporcionar uma interligação entre a água e a natureza que a envolve, estando a paisagem presente em todo o seu interior. Isto, graças à existência de paredes completamente envidraçadas que permitem encher de luz natural os vários espaços, admirar os pássaros que voam mesmo junto ao edifício criando um ambiente realmente relaxante. Desta forma, tratamos o corpo e libertamos a mente. Na piscina dinâmica, por exemplo, ao mesmo tempo que nos exercitamos e beneficiamos dos seus vários pontos de hidromassagem, sob orientação de quem sabe exatamente o que devemos fazer, sentimo-nos no exterior lançando, frequentemente, o olhar para a serra que se perde de vista. A sua acção é repousante. Está-se francamente bem e não sentimos o tempo passar. Mas, claro, as técnicas de bem-estar vão para além da utilização da água. Nós experimentámos a “Massagem Fonte Santa Relaxante”, verdadeiramente digna desse nome, que teve um sabor especial por ter sido feita depois da caminhada que nos levou até Almeida.

Explore: A montanha que desafia a imaginação

A rota das termas é um percurso pedestre que retoma os caminhos que outrora eram percorridos por quem vinha procurar a cura nas águas da Fonte Santa. Por essa razão têm início em Almeida e dirigem-se às termas, atravessando a serra por caminhos de terra batida de um tom claro. Nós optámos por ir das termas até Almeida, o que implicou ir subindo a serra. A sensação era a de estar sempre perto do céu, ou de caminhar ao longo de um interminável miradouro, tal era a paisagem que se ia sempre avistando. Em pleno mês de julho o calor é intenso, assim como o cheiro das estevas e o cantar das cigarras. A paisagem é sempre verde, embora aqui se compreenda bem o sentido da expressão “verde seco”. É natural! Estamos num ambiente mediterrânico onde a azinheira e o sobreiro têm uma presença determinante. As árvores, algumas delas com troncos que impressionam pelo seu diâmetro, esforçam-se por aproveitar o pouco espaço de terra que a rocha deixa disponível.

Esta serra é dominada pelo granito rosa. São grandes blocos rochosos de arestas arredondadas pela erosão, que parecem amontoar-se uns sobre os outros. Estão cobertos por um musgo já seco que lhes dá uma tonalidade escura e que contrasta com o tom rosa da rocha “recém” quebrada. Estes blocos rochosos espreitam por cima das copas das frondosas árvores, com formas que estimulam a nossa imaginação pois cada uma delas faz-nos lembrar qualquer coisa. Estas formas são provocadas pela erosão diferencial que origina cavidades nas suas partes laterais. Assim, enquanto caminhamos, damos largas à imaginação e recriamos histórias que se encaixam nas brechas daqueles penedos e, sem dar por ela, começamos a avistar ao longe as muralhas do Forte. Chegámos a Almeida.

Este percurso das termas faz parte da “PR 1 – Almeida” que é um percurso circular com 14 quilómetros. Em alguns pontos, este é coincidente com três Grande Rotas, a Grande Rota das Aldeias Históricas, a Grande Rota do Vale do Côa e a Grande Rota das Cidades Muralhadas. Todas elas foram colocadas na nossa agenda.

Descubra: Almeida e a sua história

Almeida é uma vila fortificada, ela própria um monumento e um testemunho da nossa história. A fotografia aérea tornou conhecida a espectacularidade da sua forma, mas são poucos os que conhecem mais do que a sua imagem impressa. Esta fortaleza, com a forma de um hexágono, que lhe é dada pelos seus seis baluartes e seis revelins, começou a ser construída em 1641 e constituiu um elemento importante na Guerra Peninsular. A sua história não acaba aí, pelo que Almeida merece uma visita atenta e cuidada. Visite o Museu Histórico Militar e depois percorra as muralhas. Vai entendê-las melhor. Inclua uma visita ao centro hípico e um passeio pelas ruas do centro histórico. Ambos vão constituir um convite para que recue no tempo.

Contudo, se quiser mesmo recuar até ao século XVIII e perceber como vivia a fidalguia nesta Praça de Guerra, visite o Solar de São João. Trata-se de uma casa-memória que recria o ambiente de uma família de militares nos seus mais pequenos detalhes. É muito interessante.

A nossa visita foi demasiado rápida e apressada, mas ficou bem claro para nós que Almeida merece uma maior atenção do que aquela que lhe tem sido dada até ao momento. Trata-se de uma verdadeira preciosidade e é como tal que deverá ser tratada. Por isso, não deixe de incluir numa das suas pausas no trabalho uma passagem pela Termas da Fonte Santa para que possa, tal como eu, descobrir Almeida e perceber porque a recomendo.

Mais informações sobre as Termas de Almeida – Fonte Santa aqui.

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www.termascentro.pt

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