Termas de Alcafache, um lugar de lazer e repouso (por Elisabete Jacinto)

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A piloto portuguesa Elisabete Jacinto visitou as Termas de Alcafache, na Rota das Termas Centro que está a realizar pelas estâncias termais da rede Termas Centro. O texto que se segue é o testemunho da sua experiência.

Num pequeno vale bem entalhado, mesmo à beira do Rio Dão situam-se, discretas, as Termas de Alcafache. Numa época em que a mobilidade era bem mais reduzida, esta estância termal contribuiu para a dinamização do local, dando origem ao aparecimento de vários hotéis e alojamentos em cada uma das margens do rio. Hoje, a tranquilidade é uma das suas principais características, continuando a promover o bem-estar e a recuperação de doenças do aparelho respiratório, reumáticas e músculo-esqueléticas, graças à sua água sulfúrea. Passar uns dias nestas termas significa lazer e repouso, uma pausa na azáfama dos nossos dias, o usufruto da natureza, da água termal, do rio, do ar puro e, consequentemente, a recuperação do equilíbrio necessário para enfrentar os desafios da vida diária.

Desfrute: De umas termas dedicadas à “naturoterapia”

As Termas de Alcafache foram para nós uma agradável surpresa. A funcionar desde 1962, foram construídas mesmo à beira do rio. A sala de repouso, cujas cadeiras em pedras são aquecidas com a água termal que nasce a 50ºC, tira partido desta magnífica localização. Situa-se numa ampla varanda toda envidraçada, com vista para a montanha, acabando por se tornar também num local de recuperação mental. Sentimos vontade de ficar ali mais tempo.

O Edifício apresenta uma arquitectura e uma decoração clássica, mas muito agradável, tendo sido recentemente modernizada toda a parte reservada ao bem-estar. No que a isto diz respeito, Alcafache segue a actual tendência manifestada por muitas pessoas para a “naturoterapia”, ou seja, o recurso a tratamentos que envolvem produtos naturais evitando, sempre que possível, os fármacos. São exemplo disso a aplicação em todo o corpo de lama maturada com água termal, um método que contribui para o rejuvenescimento, ao permitir a libertação de toxinas. A vinoterapia é outra das técnicas, utilizando produtos que têm por base os polifenóis da uva. Polifenóis são substâncias antioxidantes que desempenham um importante papel na prevenção de doenças.

São exímios na utilização da água termal, na qual possuem também técnicas únicas. Agradou-nos particularmente as piscinas individuais de água termal, cheias para cada utilização, não precisando, por isso, de tratamento químico. Estas piscinas possuem jacuzzi onde, para além da massagem feita pela água, nos permite fazer exercícios. No fundo, vale a pena passar por lá, nem que seja apenas para experimentar.

Explore: A Rota das Termas

Aquela margem do Rio Dão, com todo o seu arvoredo e a praia fluvial, exercem sobre nós uma atracção particular. Dado que o dia estava já a chegar ao fim, decidimos voltar na manhã seguinte. Partimos junto à rocha que simboliza a nascente e fomos entrando pelo arvoredo, sempre com o rio à nossa esquerda, deixando a ponte romana nas nossas costas. Caminhando sobre um passadiço, construído em pedra mesmo à beira da água, o qual acredito que fique submerso nos períodos de cheia, fomos respirando toda aquela tranquilidade ao som da água e do cantar dos pássaros. A certa altura, o rio alarga, dando lugar à formação de pequenas ilhas no seu interior completamente arborizadas. Para quem gosta de meditar, eu diria que este é o local ideal. Quando o passadiço termina damos connosco em frente a um moinho de pedra perfeitamente recuperado.

Esta é a Rota das Termas, cuja extensão não chega a dois quilómetros e que recomendamos vivamente. É um percurso circular, que sobe depois um pouco a encosta, afastando-se do rio para voltar de novo às termas. Mesmo que só vá até ao moinho e volte para trás, garanto-lhe que vale a pena.

Explore: A Rota da Ribeira da Várzea

São inúmeros os percursos pedestres que se podem fazer por estes locais. Fomos levados para a “PR1 VIS – Rota da Várzea”, à qual assentaria bem o nome de “Rota dos Moinhos de Chave na Porta”. Trata-se de um percurso com cerca de nove quilómetros, quase sempre em trilho estreito, à beira da Ribeira de Várzea. A vegetação é frondosa, de um verde intenso e muito diversificada. A sensação é de frescura e também de alguma paz interior. Por estes trilhos, sentimo-nos, por momentos, longe do mundo. Noutros, somos confrontados com um mundo remoto, que nos é trazido pelos inúmeros moinhos de pedra, num estado de recuperação impecável. Estes mantêm a chave na porta, convidando quem a quiser abrir a espreitar e perceber como funcionavam os mecanismos, que outrora permitiam a produção da farinha destinada ao fabrico do pão que alimentava a população da grande aldeia que é a Várzea.

Confesso que estes locais me inspiram. Sinto vontade de ficar ali um bocado, a imaginar como seria a azáfama à volta daqueles moinhos, que hoje não são mais que elementos fotográficos… qual deles o mais bonito!

Foi por este caminho que vi, pela primeira vez, a planta do linho. A segunda foi nesse mesmo dia, já no Jardim do Museu do Linho, situado na aldeia da Várzea, aldeia de tecedeiras, onde consta que ainda existem 16 teares activos. Assim, se a poldra com as suas 86 pedras marca o início deste percurso (poldras são um conjunto de pedras alinhadas que permitem atravessar o rio), é o Museu do Linho que marca o seu final. É obrigatório visitá-lo. Aqui percebe-se, não só como era produzido o linho, mas como se caracterizava a época em que o pão era amassado à mão e cozido em forno de lenha. A época em que viveram os nossos antepassados e que marca, por essa razão, a nossa cultura.

Descubra: Santar Vila Jardim

Não sei se por coincidência, mas, nessa noite, dormimos nos Moinhos de Pisão, um turismo rural constituído por um conjunto de casas de pedra de granito recuperadas segundo a sua traça original. A uni-las possui um magnifico jardim, que inclui um bonito lago com rãs, nenúfares e muitas flores, o que nos impressionou e nos fez sentir muito bem.

Talvez por isso nos tenham sugerido a visita aos jardins de Santar. Santar é uma vila do concelho de Nelas, onde predominam várias casas senhoriais.

Aqui, a família Vasconcelos e Souza, herdeira da Casa dos Condes de Santar e Magalhães, cuja origem remonta ao séc. XVI, deu origem a um processo de recuperação do seu património. Deste destaco a recuperação dos jardins, feita numa associação com outras casas importantes na Vila, sob a coordenação do arquiteto paisagista Fernando Caruncho. Assim, Santar possui hoje a particularidade de ser atravessada por terraços de jardins em contínuo, nos quais a vinha tem uma presença determinante. Foi para nós um prazer enorme conhecer este espaço e recomendamos a sua inclusão em qualquer roteiro de viagem que passe nesta região.

Por estarmos tão próximos não deixámos de fazer uma passagem por Viseu. Contudo, esta é uma cidade demasiado bonita e rica, que merece ser visitada com tempo. Uma visita rápida à Sé e ao Museu de História da Cidade foi suficiente para ficarmos convictos da necessidade de lá voltar e, quem sabe, fazer a Nacional 2.

Mais informações sobre as Termas de Alcafache aqui.

Veja por onde já andou a Elisabete Jacinto:

S. Pedro do Sul, umas Termas com História

Um dia nas Termas do Vale da Mó

Termas da Curia, muito mais do que um espaço termal

Termas de Luso, uma fonte de bem-estar

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Termas do Cró, um paraíso na natureza

Uns dias nas Termas de Monfortinho

www.termascentro.pt

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