Termas de Águas, bem-estar na natureza (por Elisabete Jacinto)

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As Termas de Águas, em Penamacor, foram mais uma etapa no percurso que a Elisabete Jacinto está a realizar pelas Termas Centro. Leia o relato da piloto portuguesa neste artigo.

As Termas de Águas são referenciadas desde a época do Marquês de Pombal pelo que serão, certamente, mais antigas. Trata-se de uma estância termal de pequenas dimensões, que tem apoiado muitas pessoas nos tratamentos de doenças do foro respiratório, reumático e músculo-esquelético. Por se situar numa zona particularmente pouco povoada, mesmo no limite de Águas, freguesia do concelho de Penamacor, é a natureza que aqui ganha destaque. Para além do edifício de paredes brancas, onde um cartaz anuncia a sua reestruturação, apenas os muros de pedra que limitam propriedades dão continuidade à aldeia e lembram uma ocupação humana outrora mais intensa. Hoje, estes campos são ocupados por uma vegetação que cresce espontânea, onde o feno já seco preenche os espaços entre sobreiros, azinheiras e carvalhos, contornando os esporádicos blocos de granito que, cedendo à força da erosão, vão adquirindo formas por vezes espetaculares.

Descubra: Penamacor e a sua envolvência

Este é o quadro que caracteriza a região em que se integra Águas, uma aldeia que cresceu à beira de uma nascente de água termal a que muitos ainda chamam Fonte Santa. Situado no interior do país, o concelho de Penamacor, que faz fronteira a este com Espanha, foi sujeito a um grande despovoamento provocado pela saída de todos aqueles que, nos anos 60, se sentiram com coragem para procurar uma vida melhor no estrangeiro ou na capital. Uma vez terminada a actividade profissional, voltaram à terra onde construíram a sua casa e vivem actualmente. Contudo, os seus filhos, ainda em idade activa, voltam com os netos apenas durante o período de férias pelo que, em Penamacor, a população triplica nos meses de verão. A ausência de duas gerações faz-se sentir, com a consequente falta de mão-de-obra num local onde o desemprego é praticamente inexistente. Apesar dos esforços do poder local para fixar a população e promover a sua qualidade de vida (o custo dos infantários é suportado pela Câmara, assim como as propinas dos que entram para a universidade, entre outros benefícios), esta região não vê, para já, revertido o processo.

A contrapartida desta baixa densidade populacional (11,8 habitantes por quilómetro quadrado) está numa natureza que impõe a sua tranquilidade e uma agradável sensação de bem-estar. Esta é transmitida pela magnifica paisagem constituída pela Cordilheira Central, a Serra da Malcata, pela depressão de origem tectónica conhecida como a Cova da Beira e por uma superfície planáltica de onde sobressaem relevos abruptos, designados por “montes-ilhas”, num dos quais está localizada a povoação de Penamacor. Enfim, não é por acaso que este território faz parte do Geopark Naturtejo (Geopark Mundial da UNESCO) que tem por objectivo valorizar locais que testemunhem a história da terra.

Uns dias de lazer passados nesta região podem ser absolutamente repousantes e proporcionar-lhe descobertas muito interessantes quer ao nível natural quer cultural.

Explore: A Rota da Vila

Explorar a região de Penamacor significa conhecer, pelo menos, alguns dos Geossítios entre os quinze identificados pelo Geopark Naturtejo e que estão devidamente explicados num folheto a que pode ter acesso no centro de turismo da vila. Para além disso, existem várias rotas pedestres e cicláveis que lhe permitem explorar bem a região.

Nós percorremos uma boa parte da “PR1 – Rota da Vila”, uma rota circular com cerca de dez quilómetros que nos proporciona um conhecimento geral do local. Se, por um lado, nos permite conhecer Penamacor com os seus principais monumentos, dos quais destacamos o Centro Histórico, o Castelo e o Convento de Santo António (cuja igreja requer uma paragem, pois é francamente bonita e digna de atenção) por outro, leva-nos a explorar os arredores. Caminhamos admirando as magnificas paisagens, por entre uma grande diversidade vegetal, para chegar a pontos muito interessantes, tais como o Geossítio “Miradouro da Casa do Ramalho” e as “Minas do Palhão”.

Para além deste percurso pedestre é também aconselhável partir à descoberta das praias fluviais, sempre convidativas nos dias de calor, pois os seus relvados e inúmeras árvores dispersas à beira rio tornam o ambiente verdadeiramente agradável. São exemplos a praia fluvial de Benquerença, a do Moinho na Ribeira de Meimoa e, ainda, a zona balnear do Meimão. E, claro, não esqueça a Serra da Malcata, ali bem perto.

Explorar Penamacor obriga a uma visita ao Museu Municipal, dado que este lhe permite entender o quanto antiga é esta povoação, assim como a importância que a mesma manteve ao longo do tempo. Implica também dormir no centro histórico, onde algumas das paredes das casas são a própria rocha da montanha, de que é exemplo as “Casas da Penha”. Implica igualmente descobrir que, aqui, os restaurantes servem com abundância, mas também com qualidade. O nosso programa teve de ser aligeirado por termos passado demasiado tempo à mesa no restaurante “O Tear”, em Meimoa, e impediu-nos de provar as especialidades do “Fontanhão”, pois optámos por uma refeição mais ligeira. 

Desfrute: De uma nascente termal pequena e com qualidade

As Termas de Águas são um elemento particularmente importante neste contexto natural. A riqueza das suas águas tem contribuído para atrair um fluxo constante de pessoas ao local. O espaço é pequeno e aguarda uma reestruturação já programada, cujo plano prevê uma ampliação e um aumento da oferta dos serviços, também na área de bem-estar. Contudo, apesar de pequenas, se optar por passar uns dias nesta bucólica região, pode sempre recorrer a hidromassagem, duche circular, duche de jacto e vapor à coluna, também disponível neste espaço.

O termalismo de bem-estar é cada vez mais procurado por quem pretende recuperar do cansaço resultante da excessiva pressão exercida por um trabalho intenso e pelas várias perturbações da vida urbana. O contacto com a água com propriedades minerais, associado a técnicas de relaxamento, permite um momento de pausa e de interiorização que, simultaneamente, proporciona descanso e recuperação física e mental. No entanto, as técnicas de relaxamento com água podem sempre ser associadas a outras de caracter mais tradicional, tais como tratamentos de corpo e rosto, drenagem linfática, entre outras. Estas estão geralmente disponíveis nas várias estâncias termais. Desta forma, um programa de três dias, usufruindo de duas ou três técnicas de relaxamento, poderão ser suficientes para recuperar a forma física e mental e permitem-lhe ainda disponibilidade de tempo para conhecer a região.

Mais informações sobre as Termas de Águas aqui.

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www.termascentro.pt

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