Termas da Piedade: uma herança dos monges de Cister

0 Shares
0
0
0

Começa a transformação

O dr. Francisco Tavares descreve, em 1810, que no local “nascem quatro-olhos de água termal com pouca distância entre si, na quantidade de uma telha. A formação do monte é pela maior parte de argila, cré, e de pedra que vulgarmente se chama boroeira, ou fedorenta; as camadas porem mais chegadas à raiz do monte são de pedra calcária interpoladas de argila e cré; pouco tenaz, particularmente aquelas camadas, que formam o fundo das nascentes. Nas fendas delas junto às fontes observam-se eflorescências salinas, sem forma de cristais regulares, concretas, e de sabor amargo e muriatico”.

Em 1855, os banhos eram utilizados principalmente pelos moradores nos arredores. No ano de 1876, o Município procedeu a estudos sobre as águas, de forma a poder ampliar as modestas instalações. Em 1881 foi levada a cabo uma ampliação, tendo sido construído um piso superior e outras pequenas obras que, no entanto, acabaram por prejudicar as condições de captação da água.

Em 1891, o município abriu concurso para a concessão privada das Águas da Piedade, que em passam a operar em dois edifícios: um municipal, para pessoas com menos posses, e outro privado, para quem pudesse pagar. Neste processo passam a coexistir duas estâncias termais; a “Piedade”, pertencente ao Município de Alcobaça, e a “Piedade ou Fervença”, propriedade privada.

No Relatório de Reconhecimento de Pego (1894) são descritas cinco nascentes, uma no interior do balneário, e as outras no exterior. O estabelecimento era então composto por duas construções, uma de alvenaria com três quartos com tinas de mármore, e a outra construída em madeira, que comportava quatro tinas em mármore, uma sala de duches e uma outra de espera, além da caldeira de aquecimento das águas.

Em 1907, Sarzedas também relaciona dois edifícios, mas já em alvenaria, o primeiro com quatro banheiras em mármore de 1.ª classe, cinco banheiras em pedra de 2.ª classe, e uma espaçosa sala de espera. O segundo edifício era destinado a doentes pobres.

Sabe-se que no início do século XX era proprietário da nascente privada Amadeu Pupo, concessionário de minas em Portugal, que a vendeu a Manoel Rodrigues Serrazina.

0 Shares
Também pode gostar

Estâncias termaisCuria, a água que curou o engenheiro francês

Como um rastilho, a notícia espalhou-se entre portugueses e franceses. A afluência de doentes acentuou-se, apesar da ausência de instalações, tendo o município autorizado a edificação de uma barraca de madeira, que permitisse a prática do banho sem que os…

Estâncias termaisTermas do Carvalhal, uma história com 200 anos

A tina do juiz Em 1892, Alfredo Lopes faz a descrição das nascentes. Nesta altura já existia um “modesto balneário”, para onde era conduzida a água de quatro das nascentes. Outra nascente era destinada para ingestão, embora a sua água…