Termas da Piedade: uma herança dos monges de Cister

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Perde-se no tempo a origem da utilização das águas que futuramente vieram a dar origem às atuais Termas da Piedade, no concelho de Alcobaça. É dado como certo o seu aproveitamento já pelos romanos, que edificaram, a meia dúzia de quilómetros, a villa das Parreitas e que usufruiriam dos “poderes” milagrosos destas águas.

Segundo Jorge Mangorrinha, em “O Lugar das Termas”, as Termas da Piedade têm origem na agregação de duas antigas nascentes termais, distanciadas 60 metros entre si: a nascente “Piedade” e a nascente “Piedade ou Fervença”.

As Termas da Piedade em tempos idos

Em 1566, o Cardeal D. Henrique, futuro rei, fundou um convento de monges arrábidos na freguesia da Vestiaria. Poucos anos se passaram para que os monges se apercebessem das potencialidades das águas termais locais. Junto à nascente, construíram uma casa para abrigo dos doentes, onde eram utilizadas águas em poças para a cura de algumas doenças, e uma ermida com invocação a Nossa Senhora da Piedade. A denominação de “Piedade” tem origem nesta ermida, edificada em 1628. Anteriormente, as águas termais eram chamadas de Almoínhas ou águas da Várzea da Maiorga e da Fervença. A ermida, da qual não restam vestígios, estaria localizada nos terrenos onde hoje são as Termas.

Os monges de Cister

Um melhor aproveitamento destas águas termais para banhos e ingestão vai acontecer por ação dos Monges de Cister, senhores do vizinho Mosteiro de Alcobaça, um dos quatro lugares Património da Humanidade no Centro de Portugal.

Os monges cistercienses passaram a assegurar a operação dos banhos termais da Piedade e construíram o primeiro estabelecimento termal, ainda muito rudimentar, constituído somente por uma casa e por umas tinas para banhos de imersão. No interior da buvette das Termas da Piedade pode ser observado um painel de azulejos referente ao Mosteiro de Alcobaça. Nesta altura, segundo alguns autores, já se banhariam aqui cerca de 2.000 aquistas por ano.

Nos finais do século XVII os monges mandam construir um tanque coberto na estância da “Piedade ou Fervença”, mantendo a estância termal em funcionamento até à secularização dos bens da Igreja e à nacionalização do Couto de Alcobaça, em 1834. A exploração das águas passou então para a gestão do município de Alcobaça.

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