Sangemil, umas termas com personalidade (por Elisabete Jacinto)

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A Elisabete Jacinto continua a sua rota pelas Termas Centro. Desta vez, a piloto portuguesa conta o que viu e experimentou nas Termas de Sangemil.

Consta que as águas termais de Sangemil são utilizadas com fins terapêuticos desde o século XVIII. Caldas de Sangemil é um lugar à beira do rio Dão, concelho de Tondela, onde uma magnifica praia fluvial faz as delícias de todos os que por ali quiserem fazer uma pausa. É aqui que foi construído o atual edifício das termas. A funcionar desde 1994, e renovado em 1999, mantém até aos dias de hoje uma personalidade muito própria. As águas destas termas são sulfúreas e nascem a 49º C, sendo indicadas para o tratamento de doenças reumáticas, músculo-esqueléticas e das vias respiratórias. Em termos de bem-estar, as termas dispõem de uma gama muito variada de técnicas. Experimentámos algumas e percebemos os seus benefícios.

Desfrute:  Do melhor que as Termas de Sangemil têm para lhe oferecer

São excelentes os momentos que passo nas termas e saio de lá sempre fortalecida. Em Sangemil tive algumas experiências novas. Experimentei o Phlebotone, uma banheira de hidromassagem para os membros inferiores que serve para tonificar a circulação das pernas. Vamos mergulhando as pernas, ora em água quente ora em água fria, e a verdade é que terminamos a sessão sentindo-as muito leves.

Posto isto, ganhei coragem para me colocar na Estufa Integral, eu que sempre receei fazer sauna por pertencer ao grupo dos que vivem com a tensão arterial sempre baixa. Contudo, esta espécie de sauna é feita numa “caixa”, onde ficamos sentados com a cabeça de fora, o que facilita bastante. Ficamos ali a olhar para a ampulheta colocada na parede à nossa frente, que vai testemunhando a passagem do tempo com a descida da areia. Nesse entretanto, o termómetro vai subindo e a temperatura vai-se aproximando dos cinquenta graus. As gotas de água vão correndo em bica sobre o nosso corpo. É suportável e os benefícios são evidentes.

O banho de jato aqui é feito com uma rede colocada à nossa frente, o que suaviza o impacto da água sobre o corpo e é muito bom.

O tempo passou depressa e ficou muito por desfrutar!

Explore: Os arredores das Caldas de Sangemil

Entre os vários percursos pedestres possíveis, optámos por fazer o PR 7-TND Caldas de Sangemil-Ferreirós do Dão, pelo facto de partir mesmo junto às termas. Apesar de ser um percurso linear, a nossa opção foi tirar partido das alternativas propostas e optámos por uma das suas variantes, que nos permitia transformá-lo num percurso circular e regressar de novo às termas.

Assim, saímos das termas, atravessámos a ponte pedonal, percorremos a aldeia e, numa primeira fase, seguimos pela estrada municipal, sempre com o rio e os campos cultivados no nosso horizonte. A certa altura, abandonámos a estrada para começar a subir a encosta por um trilho estreito. Tivemos mesmo de trepar as pedras graníticas para ter acesso a uma pequena e bonita cascata situada lá no alto. Valeu a pena o esforço. Continuámos entre vegetação rasteira, para mais à frente começar a descer em direção ao rio, atravessando a ponte para outra margem, perto do Furadouro. Aí fomos caminhando ao longo da encosta em direção às Caldas de Sangemil. Apesar do calor, o passeio com pouco mais de onze quilómetros, permitiu-nos apreciar as bonitas paisagens típicas do local.

Descubra: O Barro Negro de Molelos e o Segredo do Caramulo

Neste concelho há muito para descobrir, pelo que precisávamos de mais tempo. Fizemos uma visita rápida a Tondela, onde passámos a noite no Hotel SJ. Tondela é uma cidade muito agradável e bem cuidada que gostámos de ter conhecido. Ficámos bem impressionados com a quantidade de infraestruturas desportivas e tivemos pena de não visitar o Museu Terra de Besteiros, para ficar a conhecer melhor a história daquela região.

Fomos conhecer Molelos, freguesia dedicada à produção de objetos de barro negro. A grande disponibilidade no local de argilas com a plasticidade adequada, a grande utilidade das peças produzidas e os conhecimentos passados de geração em geração, fez com que esta atividade artesanal ainda hoje mantenha o seu vigor. Existem ainda cinco oleiros em atividade na aldeia. Visitámos algumas destas olarias e constatámos que, apesar da técnica de trabalhar o barro ser comum, cada oleiro apresenta as suas próprias especificidades. A “Olaria Moderna”, de Manuel Matos, produz seguindo um processo completamente artesanal, cozendo ainda o barro em forno de lenha. A “Olaria Artantiga”, dos irmãos Luís Carlos e José Manuel Lourosa, já deram um toque de modernidade a fim de poderem aumentar a produção. Já a Xana Monteiro e o Carlos Lima, na “Barraca dos Oleiros”, fazem com este barro negro admiráveis peças de arte. Contudo, diga-se a verdade, o barro não é originalmente negro. Torna-se negro durante o processo de produção. Para perceber como tal acontece, convido-o a fazer uma passagem por Molelos, pois é importante contribuir, de alguma forma, para que estes artesãos mantenham a sua atividade.

Deixámos Molelos e dirigimo-nos à Serra do Caramulo. Aqui existem também vários caminhos marcados e fiquei com vontade de percorrer a PR4 – Rota dos Caleiros. Trata-se de um percurso circular com cerca de oito quilómetros, com partida e chegada à base do Caramulinho. Ao subir ao ponto mais alto da Serra do Caramulo, com 1076 m, admirando aquela magnifica paisagem, não tive dúvidas de que um dia voltaria para caminhar naquela serra. Lá em cima sentimo-nos no topo do Mundo e somos invadidos por uma força muito particular por estar naquele local. Valeu a pena o esforço da subida feita em degraus de pedra granítica para admirar um horizonte muito amplo, onde se consegue ver até lá muito longe tudo o que a natureza nos ofereceu e uma amostra do que a nossa sociedade foi fazendo com ela.

Não quisemos deixar o Caramulo sem passar pela Bica de Água D´Alta, em Pedronhe. Uma cascata de água escondida nos entalhes da serra, onde se acede por um trilho estreito no meio de uma vegetação frondosa, simplesmente magnífica. Sentada numa pedra, fiquei a observá-la. A ver aquela água límpida a escorrer sobre a pedra, com os ouvidos cheios daquele som que abafava o cantar dos pássaros e com os olhos cheios daquela verdura… Sim! Fiquei com vontade de ali ficar!

Sei que, tal como eu, não poderá ficar ali por um tempo indeterminado. Por isso, já que está no Caramulo, não se venha embora sem visitar o surpreendente Museu do Caramulo, com as suas três coleções únicas: além da coleção de automóveis antigos, reconhecida internacionalmente, disponibiliza ainda a maior coleção de arte em museus privados que existe em Portugal e ainda uma fascinante coleção de miniaturas de brinquedos.

Mais informações sobre as Termas de Sangemil aqui.

Veja por onde já andou a Elisabete Jacinto:

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www.termascentro.pt

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