Monfortinho, a “fonte santa” que cura portugueses e espanhóis

241 Shares
240
0
1

Nas duas semanas em que por ali ficou, Gardete Martins assistiu com admiração às melhorias evidentes nos aquistas, que obtinham grandes melhorias em afeções da pele e dos olhos. A sua tia também melhorou muito. Deslumbrado, enviou garrafões com aquela água para o Porto, para ser analisada e testada no Hospital de Santo António.

O início de uma referência

José Gardete Martins foi nomeado médico municipal do concelho de Idanha-a-Nova em 1901. Empenhado em colocar as Termas de Monfortinho num lugar cimeiro, consegue do rei D. Carlos a licença para a exploração das nascentes de águas mineromedicinais. De seguida, junta um conjunto de 32 acionistas que partilham da sua visão e nasce a Companhia das Águas da Fonte Santa de Monfortinho. Esta lança mãos à obra de modernizar o sítio: o Banho Público é beneficiado, os caminhos recuperados, abrem-se 8 quilómetros de estrada (que não existia de todo) até a Salvaterra do Extremo, constrói-se um pequeno hotel e residências para os banhistas, plantam-se árvores… enfim, esboça-se o início de uma verdadeira estância termal.

José Gardete Martins em Monfortinho

Em 1912, Gardete Martins é nomeado diretor vitalício das Termas da Fonte Santa, continuando a sua obra. Em 1936, uma nova estrutura acionista dá mais um passo em frente, edificando um novo balneário, uma casa de engarrafamento de águas e saneamento. O primitivo Banho Público, o hotel e outros edifícios mais antigos são demolidos e outros, mais modernos, como o Hotel Fonte Santa, nascem no seu lugar.

As termas conhecem então um período de grande desenvolvimento, recompensado pela afluência crescente de aquistas. Entre os muitos frequentadores estava Miguel Torga, que as visitou em 1941. Vale a pena reter a descrição que o escritor faz de Gardete Martins, no volume IV do seu Diário: “…pessoa mágica dum velhote…”, “…um sujeito baixo, magro, de cabelos brancos e de voz suave. Anda como os sonâmbulos, e cumprimenta como quem saúda formigas ou palha triga”, “uma estranha candura, uma alma branca, de olhos altivos, azuis e distantes”.

241 Shares
Também pode gostar

Estâncias termaisTermas do Carvalhal, uma história com 200 anos

O hotel inspirado num barco Um relatório da Inspeção de Águas, de 1923, se bem que critique as condições dos balneários, elogia também o crescimento e a qualidade do alojamento disponível para acolher a “grande concorrência de aquistas”: “Além de…

Estâncias termaisCuria, a água que curou o engenheiro francês

A Sociedade das Águas da Curia Um grupo de notáveis locais decidiu avançar com um projeto para a exploração das águas. Entre os notáveis, sobressaía Maria Emília Seabra de Castro, esposa de José Luciano de Castro, político de grande influência…