Cada uma das estâncias termais da rede Termas Centro é um repositório de histórias que merecem ser contadas. Ao longo de séculos, assistiram a fases de prosperidade e de escassez, à guerra e à paz. Desde sempre escolhidas por reis e pelo povo para se curarem, continuam hoje a sua função, mais bem preparadas do que nunca.
As Termas de Monfortinho, no concelho de Idanha-a-Nova, são um exemplo marcante da importância que uma estância termal pode proporcionar à evolução de um território. Em redor das fontes de água quente, nasceu e cresceu uma referência no termalismo nacional.

Há muito que a fama curativa das fontes que brotam junto ao rio Erges, na fronteira com Espanha, atrai pacientes, em busca de alívio para os males de que padecem. As referências escritas remontam ao século XVIII. Conta a historiadora Andreia da Silva Almeida, em “O Termalismo na Raia Portuguesa: As Caldas de Monfortinho”, que as virtudes curativas destas águas começam a ganhar fama por essa altura. O célebre médico e intelectual Ribeiro Sanches, que nelas tratou uma “gota rosada” e uma hepatite, elogiou-as, numa obra que se encontra perdida.
Na mesma época, em 1726, Francisco da Fonseca Henriques, médico de D. João V, publicou uma lista das águas termais portuguesas, em que as “Caldas de Pena Garcia”, no lugar de Monfortinho, têm direito a um subcapítulo. Nele são descritas seis fontes de água tépida – sendo que a principal se designava de “Fonte Santa”, pelos efeitos milagrosos “na cura de males articulares, da pele, do sistema digestivo e hepático, do sistema reprodutor feminino e do foro psiquiátrico”. Relata o mesmo médico que, todos os verões, acontecia uma grande afluência a esta fonte, que não tinha balneários, abrigos ou qualquer estrutura de apoio.