Caldas da Rainha: as muitas histórias do hospital termal mais antigo do mundo

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Reformas, guerras e saqueamentos

Em 1659, o edifício do hospital sofreu um incêndio e necessitou de obras de renovação, executadas a mando de D. Luísa de Gusmão, mulher de D. João IV. Obras de maior vulto aconteceram entre 1747 e 1750, tendo o hospital termal sido totalmente reformado, sob a égide de D. João V. Demoliram-se várias edificações e construíram-se outras, como as piscinas e d buvete, foram erguidos dois pisos no edifício principal e alterada a fachada, que adquiriu o estilo joanino. Em complemento, edificou-se um conjunto de três chafarizes, do quais se destaca o Chafariz das Cinco Bicas, e um Palácio Real atrás do hospital, para hospedar a Família Real – uma vez que o próprio D. João V era utente, tendo dado entrada por 13 vezes, entre 1742 e 1748, para tratamento de uma hemiplegia.

Uma nova reforma foi feita no reinado de D. José, pelo Marquês de Pombal, em 1775. A administração do hospital foi retirada dos frades Lóios e ficou centralizada na Secretaria de Negócios do Reino, que, depois de consultar 26 médicos, elaborou uma “Tabela” das doenças tratáveis com esta água. Segundo esta Tabela, as águas das Caldas da Rainha serviam preferencialmente para tratar doenças do sistema nervoso, do sangue, musculares e digestivas. Também eram recomendadas para doenças infeciosas, mas, por questões de higiene, foi vedada a entrada a leprosos.

Mais tarde, o hospital termal desempenhou um papel importante na Guerra Peninsular. As suas instalações foram usadas para aquartelar soldados franceses, em 1808, e para tratar os feridos, franceses e ingleses, na Batalha da Roliça e na Batalha do Vimeiro.

Quando ia para o banho, o doente levava chinelas, camisa, ceroulas e carapuças. Tomava o banho somente com as ceroulas. O enfermeiro limpava-o depois com um lençol de serviço e vestia a camisa, o roupão e a carapuça, seguindo para a cama onde ficava abafado duas ou três horas para suar

Tratamentos nas Caldas da Rainha no séc. XVII

As Guerras Liberais, nome pelo qual ficou conhecida a guerra civil travada em Portugal entre os liberais constitucionalistas e os absolutistas, de 1832 a 1834, deixaram marcas no hospital termal, saqueado pelos rebeldes. De tal forma que as primeiras Cortes da Monarquia Constitucional, em 1835, pronunciaram-se sobre o estado em que se encontrava o edifício. Segundo o deputado José Elias, “o estado em que se acha o hospital das Caldas, que deve no mês de maio começar a receber as consultas dos militares, e de todos os pobres do Reino, que ali vão procurar remédio às suas enfermidades, é o mais deplorável que pode imaginar-se, em consequência das ruínas que lhe fizeram os rebeldes”.

(o artigo continua na página seguinte)

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