Caldas da Felgueira: uma História com quase três séculos

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Os pasteleiros da Pastelaria Suíça

Nem tudo foram rosas para a Companhia do Grande Hotel, uma vez que abriu falência em 1916. O Hotel foi vendido em hasta pública. Conta Almeida Dias, antigo administrador, em entrevista a investigadores do Centro de Estudos de Antropologia Social e Instituto de Ciências Sociais, que “há então um proprietário, António Marques, natural daqui Vale de Madeiros, que o compra, constituindo com esse património uma nova sociedade, em 1918, chamada Nova Companhia do Grande Hotel das Caldas da Felgueira SARL. Ao mesmo tempo que compra este património falido, compra o património não falido da Companhia das Águas. Torna-se então único proprietário das ações destas duas empresas”.

António Marques tinha feito fortuna em Lisboa com a fundação da Pastelaria Suíça. O hotel torna-se então uma referência nacional ao nível da gastronomia e sobretudo de pastelaria, uma vez que o proprietário levou para a Felgueira os melhores pasteleiros da Suíça. António Marques morre por volta de 1960, deixando todo o seu património aos sobrinhos.  Em 1962, o hotel foi vítima de um incêndio, o que levou os herdeiros de António Marques a desinteressarem-se da sua gestão. Vendem-no então a Emílio Braga, proprietário de papelarias e frequentador assíduo das termas, que reedifica o edifício. Em 1970, o hotel muda novamente de mãos, para João Oliveira, até que, em 1988, a empresa Beira Termas adquiriu o complexo termal, mantendo-se a Companhia de Águas Medicinais da Felgueira na exploração da parte termal, independente da parte hoteleira.

Termas modernas e preparadas para os novos desafios

Teve então início um novo período de investimento nas termas, com a abertura de furos de captagem e a renovação dos tratamentos e equipamentos. A renovação continuou quando, em 1994, a Companhia de Seguros Império, posteriormente integrada no grupo José de Mello, passou a ser acionista, investindo em melhoramentos generalizados, nomeadamente a construção do novo centro termal, inaugurado em 1997. Arquitetonicamente, optou-se por manter a traça oitocentista no exterior, o que confere a estas termas um charme e elegância muito característicos.

No início de 2007, a Companhia das Águas Medicinais da Felgueira é adquirida pela Patris Capital, que atualizou e ajustou a oferta, conceito, imagem e comunicação ao mercado, preparando as Caldas da Felgueira para os desafios do século XXI.

Mais informações sobre as Caldas da Felgueira aqui.

www.termascentro.pt

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